A sutileza do cuidado

Quando nos formamos em um curso que possui a saúde como foco principal de atenção, nos deparamos com o outro, que detém certa subjetividade e que pode não aceitar, ou ainda desacreditar no que propomos para ele, achando muitas vezes que seu conhecimento é melhor do que o conhecimento do profissional que detém esse suposto saber.

Sabe-se que, hoje em dia, as pessoas têm maior acesso aos meios de comunicação e isso de certa forma favorece uma maior interação entre aqueles que difundem o conhecimento, com aqueles que o procuram.

Não se pode confiar em tudo que lemos ou ouvimos, devemos sempre construir nosso próprio entendimento daquilo que é transmitido e partir daí, criticamente, avaliar esse cuidado que outro nos determina.

É comum escutarmos pessoas que dizem ter passado por vários médicos na tentativa de descobrir certo tipo de desequilíbrio orgânico e/ou emocional, mas acabam se frustrando ao perceber que a resposta muitas vezes é uma incógnita para ambos. Essa frustração é comum, já que depositamos no outro as esperança de descobrimos algo sobre nós mesmos. Mais

“Colcha de retalhos”

Há certo tempo percebi que vivemos em um ciclo (in)constante da vida, algo do tipo que nós faz (re) viver a cada momento um único momento.

Os dias vão se passando e o fim desse caminho parece ser nossa única certeza, mas nem por isso vivemos esperando por ela.

Se passarmos algumas horas pensando nas horas que perdemos com algo, acredito que perdemos mais horas ainda. Por isso, o que passou, passou. Clichê esse muito usado quando algo acontece de ruim na vida de algumas pessoas.

É fácil perceber que alguns vivenciam o passado como fonte do presente, se alimentando de lembranças, retirando de si o apetite pela vida, porém, para todo momento de desconstrução, algo de novo se constrói.

Colcha de retalhos é um filme que mostra com tamanha simplicidade o amor se construindo na vida das pessoas, na verdade o vínculo que esse amor proporciona. É tecendo uma grande colcha que transmitimos nos pequenos retalhos os diversos caminhos que percorremos na vida, alguns irregulares, outros mais coloridos, uns mais grossos e outros mais finos e claros.

Nossa vida pode ser estampada em uma colcha, mas para isso precisa-se tecê-la, para isso é preciso vivê-la!

Minha mãe, meu paladar, minha história.

A cada novo alimento, uma nova história, uma nova lembrança gustativa. É assim que construímos nosso paladar. Na infância quando ao poucos necessitamos de um complemento, somos apresentados ao mundo dos sabores e nos distanciamos do seio completo, aquele que nos alucina.

De um período completamente dependente do “seio materno”, somo obrigados a mergulhar no desconhecido mundo dos variados alimentos que complementam nossa existência. Diante da própria imaturidade fisiológica, consumimos nossas primeiras papas, causando certa estranheza inicial.

As mães costumam misturar tudo achando que com isso nos alimentam melhor, engana-se, pois assim dessa forma não conseguimos distinguir o sabor de cada alimento. Uma fruta que tem sabor específico acaba por misturar-se com o sabor de outra e dessa forma confundi esse meu paladar tão ingênuo ainda.

Tudo é muito novo e mesmo sendo ainda muito novo também, preciso que me estimulem mais vezes com um mesmo alimento, pois se vocês ainda não entenderam, eu não conheço esses sabores ainda e por isso preciso me familiarizar com eles.

Minha mãe se desespera quando não consigo comer, calma mãe! Estou iniciando e construindo minha memória gustativa, tudo ao seu tempo e aquilo que realmente eu não gostar, você vai saber!

Com um ano me sinto apto a comer a comida de toda a família, mas lembre-se que muito tempero pode me irritar e irritar meu organismo, que ainda de tão imaturo não reconhece.

Se eu me melar, paciência, pois estou aprendendo a ser como você, a conseguir pegar com tanta agilidade uma colher, que se brincar é maior que meu próprio braço, por isso, preciso de umas menores pra já ir treinando.

Confesso que o mundo dos sabores me encanta, mas nada melhor que o seio de minha mãe que mais parece um porto seguro em minha vida. Dizem que posso usufruir dele por bastante tempo e com certeza vou aproveitar, mas não posso esquecer que a partir dos dois anos, ele não me fornece tudo que preciso, pois já não sou um ser tão imaturo e diante disso preciso realmente me despedir.

Como é difícil abandoná-lo! Tenho amigos que muito cedo conseguiram e me parece que esses meus amigos foram enganados, pois por algumas circunstâncias, colocaram um bico diferente em sua boca e eles realmente acharam que era o peito da mamãe. Bobinhos eles… eu não cai nessa e pude aproveitar por muito tempo esse seio tão “bom”.

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Um pouco mais que alimentos (parte 2)

Dando seguimento a reflexão sobre “Um pouco mais que alimentos”,  faço o seguinte questionamento: para que possamos mudar e inovar nossos hábitos alimentares, que tipos de substituições ou que tipos de investimentos fazemos no dia a dia?

Percebo que muitos são os motivos que levam as pessoas a mudarem sua rotina alimentar, sendo o fator estético o mais frequente, principalmente para o público feminino. Dessa forma, a mudança na alimentação responde a um desejo propriamente físico em primeiro plano, faltando um desejo de equilíbrio, um desejo de saúde. Até porque, ao mudarmos nossa alimentação, quem mais se beneficia com isso é a nossa própria saúde como um todo.

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Um pouco mais que alimentos

Se pensarmos na vida como um grande processo de gratificações, acredito que o primeiro passo desse processo seria o aleitamento materno, quando somos preenchidos de fato com alimento substancial e o prazer que toda aquela situação promove. A partir desta primeira experiência, a alimentação nunca mais deixará de ser algo prazeroso para o indivíduo. Mais

Dúvida: movimento que elabora.

Até que ponto conseguimos discernir o certo do errado? Que tipos de construções incorporamos na vida que permite a nós, seres humanos, sermos dotados de uma certa razão?

Até que ponto percorremos um caminho trágico sem conseguir enxergamos um destino cruel? Seriamos então dotados de certa fantasia que alimenta as pulsões mais “destrutivas” do ser?

As questões que subscrevem nossas vidas permitem-nos que façamos parte de um movimento, movimento esse que carrega em si nossos sentimentos mais primevos, aquilo que um dia tentamos inutilmente esquecer, resistir.

Seria talvez essas questões mais arcaicas a responsável pela desorganização psíquica de muitos sujeitos que buscam na vida um sentimento pleno de felicidade?

Que felicidade seria essa tão inabalável? Porque não nos damos o prazer de viver momentos infelizes? O inconsciente ao mesmo tempo que trabalha na busca de prazeres, constantemente evita o inverso. Até que ponto estaríamos evitando o desprazer para gozarmos de satisfação plena e o que isso traria de benefício para o ser humano?

Compartilho da idéia de que não são as respostas que movimentam o mundo e sim as perguntas elaboradas a partir de questões extremamente complexas.

Se permitir viver o movimento da vida e das questões que com ela surgem, nos faz perceber ao longo de uma incansável jornada o quando ainda somos inexperientes e que precisamos aprender, aprendizado esse que necessariamente não se contempla em livros ou salas de aula, mas no próprio movimento elaborado pela vida do sujeito.

Voltando as questões destrutivas, me pergunto o que leva um sujeito a traçar um caminho desses? Vou ainda mais longe e questiono: o que no transcorrer da vida faltou a esse sujeito? O que ele busca nas ações destrutivas? Prazer? Livrar-se de um sentimento de culpa? Difícil entender já que é a subjetividade dele que está em jogo e não a minha. Até agora só me resta fazer perguntas, porque a resposta está no sujeito e não em mim.

Se pra ser mulher precisamos ser algo, que esse “algo” não seja somente rótulos…

Se gritamos é porque somos histéricas;

Se amamos é porque somos carentes;

Se sofremos é de graça;

Se perdoamos é por necessidade;

Se fingimos é por interesse;

Se casamos é por amor;

Se separamos é por vários motivos (com certeza);

Se não somos perfeitas, paciência;

Se buscamos um falo, Freud explica;

Se cantamos alto, estamos apaixonada;

Se ficamos caladas, estamos tristes;

Se falamos demais, somos tagarelas;

Se somos tudo isso por rotulagem, porque não tentar ser apenas MULHER por um instante!

Vejo…

Eu vejo…

Vejo pessoas sorrindo e outras chorando;

Mundo desabando e outros serem construídos;

Conhecimentos sendo transmitidos e outros ignorados;

Uns batalhando muito e ganhando pouco e outros sem nada pra fazer e curtindo adoidado;

Uma questão de merecimento? Não, acho que uma questão de oportunidade!;

Vejo pessoas lunáticas em cargos importantes;

Vejo o olhar de sofrimento daquele que definha e a alegria dos pais ao ver nascer;

Vejo a vivacidade de uma criança e a inutilidade de um ser senil;

Vejo um mundo ser construindo de sonhos e poucos caminhando diante de sua realização;

Vejo a vida como um passe de mágica, onde cada sujeito pode desaparecer em um segundo apenas;

Vejo doenças que não têm cura e pessoas caminhando em busca delas;

Vejo pessoas lutando contra cânceres e outras fazendo de tudo para desenvolver;

Vejo que estou envelhecendo e começo a sentir:

Sinto que a vida é um grande caminho a ser percorrido e que muitos não vão tão longe;

Sinto que as pessoas estão cada vez menos tolerantes;

Sinto que os desejos são fortes e que poucos conseguem dominá-los;

Sinto uma imensa vontade de saber:

Sei que nada posso se não for atrás;

Sei que é caminhando que conseguimos chegar ao longe;

Sei que disciplina é necessário para ser viver;

E sei que é vivendo que aprendemos a ser;

Sei que existir apenas não é suficiente;

Sei que passividade é confortável, mas bom mesmo é ser ativo;

Embora tudo me pareça sabido:

 “sei que nada sei”.

Ginetta Amorim

Sempre há um recomeço…

A vida começa com o cantar dos pássaros que anuncia o novo dia ou comemora sua própria existência. O mar reflete o brilho de um sol exuberante, de uma natureza tão radiante de cores. Andar na areia da praia é como flutuar sob nuvens claras em um céu completamente azul. É sentir o frio de uma água límpida e poder ver a beleza que é ser humano. Não tão brilhante como a própria beleza do mar, mas com contornos que nos mostra a singularidade de um ser complexo, desorganizado e livre.

Narciso mergulhou sobre sua própria imagem na tentativa de buscar aquele ser tão perfeito, nós mergulhamos em futilidades na tentativa de sermos cada vez mais robóticos e dependentes do olhar do outro sobre nós mesmos.

 As espumas que flutuam são como nossos conflitos interiores: aparecem, crescem e somem por cima de nossas próprias pisadas. Somos seres, que por ser racionais, somos capazes de nos analisar sempre, basta ter coragem para sentir a angústia dos sentimentos que não conseguimos nomear.

Saber lhe dar com os conflitos da vida nos torna pessoas graduadas em existencialismo, porque a própria existência exige que sejamos sujeitos pensantes e porque não também atuantes?!

Cada pessoa planta sua semente no jardim que escolher, e os frutos são colhidos e compartilhados com todos. Os frutos podres deverão servir para que bons frutos nasçam novamente ou para mostrar que em determinados jardins a terra não é boa, não é fértil, devendo cada um saber onde procurar o melhor lugar para cultivar seu amor, sua esperança, sua vida.

Existem muitos jardins, uns até com espinhos aparentes.

Existem muitas sementes que não conseguem germinar.

Existem muitos seres humanos que não conseguem viver!

Existem asas suficientes para cada um voar.

E se existe amor nessa vida… que de fato seja para amar.

Ginetta Amorim

“A personalidade na balança”: uma ressalva.

“Novas pesquisas revelam como o seu jeito de ser pode levar você a engordar.” ISTOÉ 08/FEV/2012.

Quando já não se tem mais o que falar da obesidade, dos fatores de risco que a predispõe, da Leptina, da Grelina, das balas emagrecedoras, etc. Entram em destaque as pesquisas que envolvem a estrutura psíquica do sujeito, como traços de sua personalidade, influenciando o ganho de peso.

Sabendo que vários são os fatores que predispõe o indivíduo ao ganho excessivo de peso traçar uma conduta em que a personalidade de cada um dita como o mesmo acumulou calorias extras no decorrer dos anos não trás novidade alguma no tratamento. Principalmente porque cada indivíduo é dotado de uma estrutura psíquica particular com experiências de vida incomum ao coletivo. Se no estudo realizado eles procuraram dividir os 1.998 candidatos em categorias como: insones, multitarefas, perfeccionistas, superseguros ou ainda intolerantes e impulsivos, só fizeram o desfavor de criarem mais rótulos pra aquelas pessoas que por muito tempo se frustraram ao saber que não conseguem atingir determinados objetivos quando se fala em regulação do peso corpóreo. Mais

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