A Maria de tantas Marias

Maria sempre foi uma pessoa feliz, o riso sempre foi sua marca registrada e seu pseudônimo era “gracinha de meu bem”, a quem todos tinham tamanha admiração por sua bondade e carisma. Até as Araras imitavam sua gargalhada com tamanha autenticidade que muitas vezes a procurava e não a encontrava, porque na verdade ela não estava ali, apenas sua alegria. Foram 25 anos de união e a gracinha já não era mais de “meu bem”, era uma pessoa perdida e com 5 filhos que ele havia deixado. A infelicidade do término do casamento trouxe a Maria grandes problemas relacionados à sua saúde, o coração cresceu, acredito que por tamanha decepção e a bipolaridade de sentimentos foi que marcou toda essa fase tristeza e insegurança. “Meu bem” seguiu seu rumo e casou-se com uma mulher bem mais nova com muita vitalidade e até os filhos “meu bem” deixou para trás. Um desses a quem chamava de princesa, “a princesa do papai”, teve seu trono ocupado por outra princesa, que não era do papai, mas da nova mamãe.

Maria nunca foi à mesma, tornou-se uma pessoa muita vezes sem noção alguma, ameaçou, criticou, magoou muita gente. Será que Maria estaria surtando? Quem não estaria diante dessa situação. Uma pessoa que abandonou seus sonhos para cuidar dos filhos, do esposo e da casa, após 25 anos não se ver mais cuidando de nada e de ninguém, acredito que qualquer Maria também nessa mesma situação surtaria.

Conviver com pessoas bipolares que não sabem lhe dar com os turbulhões de sentimentos exige muita paciência daqueles que convivem, pois lidar com as flutuações de humor e com as impulsividades é difícil para qualquer pessoa. Quando em crise os bipolares são altamente agressivos, impulsivos, bizarros, sempre com piadas na ponta da língua para ofender a quem quer que seja. Falam imoralidades desrespeitam o próximo, se mostram capazes de julgar qualquer pessoa, apresenta religiões diversas e negam estar com alterações no humor.

É difícil ajudar as pessoas quando elas não querem ou não entendem que precisam ser ajudadas. As flutuações de humor são normais para qualquer pessoa, porém quando tais flutuações passam a interferir na sua vida e na vida de outras pessoas, merece um pouco mais de atenção. A pessoa que é bipolar sofre de histeria não tem controle de suas emoções, chora e rir com facilidade, estando uma hora muito feliz e outra completamente triste.

Maria hoje em dia se cuida, percebeu a necessidade de buscar um tratamento, apesar de não ser mais de “meu bem”, continua a Maria cheia de Graça.

A escolha e a renúncia…

Família é um vinculo que se cria através de amor, companheirismo, parceria, é aquele ou aquela que entra na sua vida simplesmente para construir junto com você uma história. A família dessa forma não se constitui de laços sanguíneos nem muito menos de uma coisa bem estruturada, pois a família pode muito bem ser formada a partir de pessoas que pensam da mesma forma ou não, podendo ser ou não do mesmo sexo, querendo ou não ter filhos, a família é algo que existe para unirmos laços, mas diferentemente de genética, são laços mais profundos que se concretizam com a união de pessoas que se amam.

Eu me pergunto sempre porque hoje em dia os laços estão tão fáceis de serem rompidos, porque as pessoas não se preocupam em construir algo sólido ou de valor. Um amigo certa vez falando sobre a possibilidade de pedir a namorada em casamento, questionou se estaria fazendo a coisa certa, mas logo afirmou que ela era uma pessoa boa e que eles tinham tudo para dar certo. A gente tem muito medo de fazer escolhas porque cada escolha recai sobre uma renúncia e isso sempre vai acontecer em vários momentos de nossa vida. A renúncia e a escolha sempre vão andar juntas, porém são elas que proporcionarão nosso maior ou menor amadurecimento, é a capacidade de fazermos tais escolhas que nos tornam pessoas complexas e muitas vezes inseguras.

A gente às vezes acha que em uma família temos laços fortes difíceis de serem quebrados, mas não, eles são mais frágeis do que a gente pensa. Tirando por exemplo um homem que depois de 25 anos de casado deixa sua casa para assumir uma mulher com 3 filhos (de outro) e deixa para trás sua família com quase todos os filhos em processo de formação. Que tipo de homem é esse? O que levou esse homem a renegar seus filhos, sua esposa, sua casa?

Pra esse tipo de homem eu só tenho uma definição: doente. Claro que existem casos e casos, porém para esse tipo eu considero algum tipo de insanidade que não o faz perceber o quanto de renuncias eles teve que fazer ao assumir tal escolha.

Daí eu me pergunto: Será que ao escolhermos algo em nossa vida temos total consciência das renúncias que essa escolha significará?

Bem, ainda não sei, mas acredito que toda renuncia é por si própria uma escolha e que toda escolha vai lhe trazer como conseqüência alguma renúncia.

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