1 ano de formação: expectativas e frustrações.

Hoje faz exatamente 1 ano que me formei e acho importante falar um pouco sobre minhas expectativas e frustrações iniciais nesse pequeno percurso. Antes de falar um pouco de minha experiência, acho importante frisar que de uma turma de 20 alunos, apenas 3 não estão empregados, porém, estudando para concursos.

Assim que me formei, passei 7 meses em uma instituição que me deu falsas esperanças de um futuro contrato, trabalhei durante 7 meses como estagiária na expectativa desse contrato sair, porém comecei a perceber que as coisas não aconteciam e enquanto eu dava o melhor de mim, não recebia o reconhecimento necessário.

O melhor dessa fase foi à experiência que tive a partir da convivência com muitos profissionais qualificados. Infelizmente ou felizmente surgiu uma nova oportunidade que iria me dar certa estabilidade e certo tempo para me dedicar ao que mais almejo hoje em dia que é a Residência universitária Multiprofissional. Alguns amigos até sugeriram que eu fizesse mestrado, porém não consigo deixar de desejar o que uma residência pode me proporcionar. Porém não descarto essa sugestão e oportunidade. Mais

Estratégias para concurso público

Não é fácil dedicar seis a oito horas por dia de estudo para concursos, principalmente para quem exerce outras atividades, mas posso dizer a vocês que o concurso em si não exige 99% de conhecimento de quem faz e sim muita sorte e metodologia. A mais ou menos um ano estou me dedicando a esses benditos concursos e até agora só consigo enxergar que os mesmos são muito sacanas. Pelo menos na minha área, as questões são muito mais decorebas e pouco complexas, de uma forma que se você for uma pessoa de boa memória fotográfica, é só fazer umas 100 provas que garanto o acerto de pelo menos metade de uma prova de concurso. Claro que existem alguns órgãos que coloca pra lascar, mas aqueles que não colocam, dá até raiva fazer as provas. Mais

Segurança alimentar e a importância do nutricionista no serviço.

Trabalhar com segurança alimentar em serviços de alimentação é para nos nutricionistas algo bastante desafiador, principalmente porque o conhecimento adquirido na universidade não é o mesmo daquele obtido por nossos colaboradores. Dessa forma a constante atualização é necessária diante da rotatividade de funcionários e até mesmo diante dos vícios de trabalhos que são constantemente adquiridos com o tempo e a falta de supervisão.

 É difícil fazer pessoas que mal tiveram o ensino médio compreender que microrganismos desenvolvem-se em alimentos de forma tão rápida, já que eles estão acostumados a observar apenas alterações organolépticas (aroma, sabor) no produto. Por isso, muitas vezes somos vistas como “chatas” e “mal amadas” por simplesmente cobrar deles um maior controle no fluxo das refeições para evitar contaminações e consequentemente adoecimentos.

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A (des)construção dos hábitos alimentares em uma criança.

A construção dos hábitos alimentares de uma pessoa tem origem a partir do primeiro contato da criança com sua mãe. A amamentação é um momento único compartilhado por duas pessoas, onde não só se partilham emoções como também o prazer por se estar sendo alimentado. Muitos que abdicam desse momento não sabem o mal que fazem aos seus filhos, mas nem todos são conscientes disso. Mais

Comunicar: uma forma de nutrir?

Após 7 meses da defesa de minha monografia (este 7 me persegue), darei continuidade ao seguinte projeto:

“Não existe uma só atividade humana que não seja afetada ou que não possa ser promovida, através da comunicação”.

Gilbert Highet

O presente trabalho surge de uma necessidade pessoal em finalizar o curso de nutrição da Universidade Federal do Rio grande do Norte, com um estudo que tivesse minha identidade e a participação de pessoas que considero como espelho de profissional e ser humano.

O convite que de certa forma foi “procurado” e carinhosamente oferecido me permitiu viver (e ainda com continuidade) em um grupo de pesquisa intitulado De Corpo e Alma que teve início a partir do projeto de pesquisa De corpo e Alma: alimentação alternativa, uma prática aglutinadora das dimensões salutares do existir? Sob a coordenação da Profa. Dra. Vera Lucia Xavier Pinto, com quem tive o prazer de amadurecer e despertar para o universo da pesquisa qualitativa.

Sob a orientação de Vera e contando com os parceiros Eugênio e Cristovão, pude ir além dos conceitos relativos à nutrição e comportamentos alimentares, e me permiti viver a comunicação, que descobri, e pela qual desenvolvi grande interesse, ao tentar compreender como se dava e qual sua importância em nossas vidas. Muitas vezes me questionava se não estava fugindo de minha área profissional, mas lendo diversos artigos e livros, percebi o quão importante a ciência da comunicação é para as outras ciências, servindo de base e principalmente de canal para se estabelecer qualquer tipo de diálogo entre os seres humanos, que por serem “humanos” necessitam  comunicar-se com outros seres para dessa forma existir.

Durante a pesquisa tive a oportunidade de conviver com adolescentes que por algum motivo pensavam diferente da maioria dos adolescentes que conheço, e nesse convívio pude vivenciar a aluna “pesquisadora”, aquela que entrevistava seus sujeitos e a partir disso podia tentar compreendê-los. Foram momentos vividos intensamente, pois diante da “gaiola” da vida no qual me encontrava tive como saborear a delícia das descobertas, como também a fragilidade do corpo físico, que por sintomas de angústias e ansiedade me fizeram viver momentos de pânico e incertezas sobre minha saúde; porém, hoje vejo que tais momentos foram vencidos e a prova disso é este trabalho que fiz com carinho e integração tanto do sujeito no meio, como do meio no meu próprio sujeito.

Entender o real significado da comunicação humana me fez buscar referências para algo que eu sabia o que era, pois eu me comunico, mas que não sabia explicar teoricamente e, algumas vezes, achava engraçado quando pegava livros emprestados na biblioteca e ficava imaginando se as pessoas entendiam o que uma aluna de nutrição buscava em livros como “O processo de comunicação” ou ainda “A comunicação Humana”. Eu realmente só achei o que procurava quando me entreguei de corpo e alma a essa pesquisa.

Pensando na alimentação humana como algo intrínseco ao ser e a comunicação nas suas mais diversas formas como necessidade absoluta para a interação com os demais, busco neste trabalho identificar como essa comunicação se estabelece e quais meios para que ela aconteça e identificar por meio de entrevistas narrativas gravadas e posteriormente transcritas e analisadas, a participação desses meios na vida das pessoas.

Descobrir que a comunicação interpessoal aparece como importante e determinante nas escolhas alimentares de adolescentes me fez compreender ainda mais o papel educador dos profissionais nutricionistas, pois à medida que somos capazes de comunicar educando, temos uma importante ferramenta para orientação e valorização de uma alimentação saudável para qualquer pessoa, e fico feliz de terminar esse ciclo valorizando ainda mais conceitos que se mostram importantes para o convívio e para determinação das escolhas pessoais de cada um.

Em breve o artigo (se Deus permitir):

AMORIM, Ginetta Kelly Dantas. Comunicar: uma forma de nutrir? 2010. 53 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Nutrição) – Curso de Nutrição, Universidade Federal do Rio Grande do norte, Natal, 2010.

Discurso – Oradora

É com imenso prazer e orgulho que hoje represento a turma “o equilíbrio do corpo é a harmonia dos sabores” que me concederam o direito das ultimas palavra acadêmicas a serem proferidas pela turma.

Após 5 anos de convivência, é chegado o momento de grande alegria para todos aqui presentes, hoje celebramos a conquista de uma formação universitária, a construção de um profissional humanista e educador; comemoramos a vitória conquistada diante de muitos entraves que se sobrepôs aos nossos caminhos; é dia de reviver e saborear momentos intensamente vividos e compartilhados.

O caminho percorrido por mais difícil que possa ter sido, significou o amadurecimento, a entrega e o comprometimento com uma instituição que sempre nos proporcionou mestres extramentes capacitados e comprometidos com a nossa formação, mestres esses que moldaram um profissional reflexivo e crítico que durante 5 anos foram parceiros, cúmplices e tolerantes. Mais

Nutrição Clínica: uma vivência de estágio.

“ Bom dia, olá como vai? Sou da nutrição (ainda não nutricionista), gostaria de saber se a sua dieta, sua alimentação esta vindo tudo ok e se a senhora gostaria de fazer alguma observação?”

Essa pergunta eu repetia umas 40 vezes ao dia, mas 40 vezes eu escutava respostas diferentes, não diferente nas palavras, mas nos gestos, na atenção e na educação que quando não era interrompida por um celular era perfeito. Posso dizer que minha experiência na clínica foi grande parte fruto de um desenvolvimento psicológico que aflorou, pois mesmo sendo formada para atender as necessidades nutricionais de pessoas, não tinha como não relacionar a alimentação com as causas sociais e psicológicas.

Hoje em dia as pessoas estão muito carentes de atenção, de apoio emocional, apoio financeiro, cada vez mais somos engolidos pela falta de tempo, pela falta de lazer, pela falta de não pensar em nada. Tenho a sensação que mal começa a segunda e quando vejo já é a sexta! Minha avó dizia que tempo vale ouro e hoje em dia eu percebo o quanto ela estava certa.

No hospital a rotina é comprida, quando começo minhas visitas do dia vou logo para a maternidade, pois tenho sede de ver vida, de sentir o cheiro da pele nova, o vigor da criança que acaba de nascer… esse sentimento é impar e não consigo nem explicar com palavras pois só sentido o cheiro do nascimento que somos capazes de entender. Lá eu fico me imaginado no lugar daquelas mulheres, na verdade só sonhando, pois  tão cedo não pretendo ser mãe.

Ao descer para pediatria, começo a ver a dura realidade de nossas vidas e a fragilidade do ser humano. Crianças oncológicas, neuropatas, com quadro viróticos e assim vai… Vejo a angustia das mães, e como elas são mais presentes nessas horas. Tento de alguma forma aliviar certos sofrimentos sempre com mensagens positivas de que vai melhorar, é só uma questão de adaptação, a vida pode ser mais difícil e assim por diante… mesmo sabendo que uma criança neuropata não vai falar, não vai andar, não precisamos agir como se ela realmente não fosse, precisamos sim falar com ela, brincar e passar pra ela que estamos ali para ajudá-la, porque isso sim é mais importantes do que as certezas que porventura já temos em mente.

Ao descer para outro espaço do hospital, a realidade é bem diferente. Pessoas que fazem cirurgias desnecessárias colocando sua vida em risco, pacientes em pós cirúrgicos diversos e outros com doenças crônicas não transmissíveis. Esse setor é o que mais me deixa desconfortável, pois passei por algumas situações um pouco constrangedoras. Uma vez entrei no quarto para me certificar de que não tinha ninguém e tinha uma garota, daí perguntei se era algum procedimento cirúrgico, ela calada não me respondeu, mas chorando pude perceber que não era coisa boa. A mãe num tom leve disse que era uma curetagem, nesse momento fiquei sem ação imaginando a dor que aquela garota estava sentindo. Com educação falei que por enquanto sua dieta estava zero, mas que assim que saísse do procedimento nós verificaríamos sua prescrição. Quando sai do quarto senti que nada daquilo que tinha dito fazia importância para ela e naquele momento não me senti uma pessoa útil.

Outro caso é o de um paciente com câncer em estado gravíssimo. No caso dele todos os dias eu passava para visitá-lo e perguntava se estava conseguindo comer e a resposta nunca era boa e eu não podia fazer nada, pois ele não tolerava nenhuma comida. Nesse mesmo caso me sentia também inútil, pois a única coisa que podia fazer por ele era estar ali pra qualquer ajuda que ele viesse a precisar e era nesse pensamento que eu me agarrava.

Hoje em dia encaro a morte como um céu, pois tenho plena certeza que estamos em um purgatório. Se parar pra pensar nas dificuldades que passamos para nós tornar profissionais, não tenho como não pensar que esse sofrimento seja algum tipo de ritual de passagem, sim porque pra merecer uma paz divina, celestial, temos que ralar durante boa parte de nossas vidas.  Quando vejo pessoas em estado crítico no hospital à sensação que tenho é que ela sim está mais perto da luz do que eu, ela sim vai poder descansar. Por algum motivo que só Deus sabe algumas pessoas vão mais cedo e outras um pouco mais tarde. Eu espero que no dia que não puder mais ser uma pessoa auto-suficiente, que não possa mais responder pelos meus atos e que não lembre mais do que vivi, peço a Deus que nesse dia ele me poupe e poupe as pessoas que carregarão esse fardo.

Espero que meus amigos que compartilharam também de experiências como essas, possam deixar aqui uma mensagem de vivência adquirida e dessa forma registrar um momento único em nossas vidas!

Nutrição e antropologia

Brasil Bom de Boca

A primeira vez que vi esse livro foi na livraria com duas amigas, o mais engraçado é que como estudantes de nutrição estavamos na sessão de ciências sociais e humanas (…) Pedi de presente de aniversário ao meu namorado e achei a leitura muito interessante e saborosa, pois realmente tenho a sensação de ter degustado esse livro. Brasil Bom de Boca fala de nossas comidas típicas e suas origens, além de alguns rituais que estão sempre presente no nosso dia a dia.

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