Saúde: modelo e sociedade
25 jul 2011 Deixe um comentário
em Saúde Tags:Saúde, saúde pública
O sistema de saúde brasileiro é hoje caracterizado por uma disputa entre modelos assistenciais diversos. O modelo centrado na assistência médico-hospitalar e nos serviços de apoio diagnóstico e terapêutico constitui-se numa hegemonia em oposição a campanhas e programas especiais, além de ações de vigilância sanitária e epidemiológica (PAIM, 1994).
A saúde no Brasil passou por grandes mudanças durante esses 20 anos. Hoje a atenção a saúde volta-se para a prevenção de doenças, claro, que sem tornar menos importante as outras atividades. Porém compreende-se hoje o papel ativo da sociedade na busca por uma melhor qualidade de vida.
A Descentralização, Universalização e Equidade, princípios esses que fortalecem nosso Sistema de Saúde, deve ou pelo menos deveria, tornar nosso modelo de atenção a saúde algo exemplar para muitas nações vizinhas, mas problema de se ter uma plano de ação tão perfeito na teoria é quando começamos a inserir pessoas despreparadas e sem conhecimento nenhum sobre gestão em saúde. Nossa cidade, e porque não dizer nosso país, está repleto de pessoas sem conhecimento de causa, como se diz por ai. Mais
SUS: o lado negro do sistema.
07 jun 2011 3 Comentários
em Lições de vida Tags:angústia, descaso, saúde pública, sofrimento, sus
Esse relato refere-se ao dia 6 de Junho (dois dias antes de meu avô falecer)
Hoje 8 horas da manhã, liguei para o hospital Walfredo Gurgel para marcar uma endoscopia pro me avô, pois o mesmo foi ao o hospital Deoclécio no domingo tentar passar uma sonda nasoenteral, mas após 3 tentativas não foi possível e o médico de lá orientou que a sonda fosse colocada com uma ajuda de um endoscópio. Ok primeiro passo foi dado. Depois fui tentar conseguir uma ambulância para locomovê-lo. Fui ao posto do meu bairro, mas não tive sucesso já que a ambulância tinha ido pro conserto e não estava pronta ainda. Mais
Uma carta a vocês médicos.
24 mai 2011 10 Comentários
em Lições de vida Tags:assistência, saúde pública
Por favor, não me venha com diagnósticos quando o momento é apenas de consolo;
Não me trate como um leigo, pois a vida pode ensinar bastante a qualquer um;
Escute-me ao invés de escutar fatos errados de doutorandos, que nem ao menos me procuraram para saber a real situação do paciente;
Não me venha com termos clínicos quando o que mais precisamos é termos atenção;
Não faça sentir-me um ignorante quando ignora o que digo, ou ainda vira a cara para escutar estranhos falando de um paciente que há sete meses acompanho;
Antes de ser O médico seja um amigo, que escuta, acolhe e que me trate com carinho.
O desabafo é pelo descaso que vejo em alguns momentos em relação ao meu avô que está internado. Na manhã do dia 23, esperava o médico vir dar alguma satisfação sobre a situação do meu avô, aguardava ansiosa, pois o mesmo encontra-se em péssimo estado de saúde, principalmente porque ele mesmo contribuiu para o agravo do quadro quando decidiu se entregar a doença. Pois bem, o médico entra na enfermaria acompanhado por 6 doutorandos, todos com pranchetas nas mãos e com caras assustadas. O representante do grupo começa a falar do meu avô como se o conhecesse e dizer coisas erradas a respeito do mesmo, coisas do tipo:
1 – o paciente adquiriu uma ICC (insuficiência cardíaca congestiva) por causa de uma isquemia: ERRADO. Meu nunca teve isquemia e nesse momento fiquei calada.
2- o médico perguntou se ele estava com acesso e o doutorando respondeu que o acesso tinha sido colocado pela manhã: ERRADO. Nessa hora não fiquei calada e disse que o acesso já vinha do Hospital do Coração desde Sábado à noite.
3- o paciente se recusa a fazer exames: ERRADO. Meu avô, tem 94 anos e a fragilidade capilar assim como o quadro que se encontra não se é possível furar mais. Eu sofro cada vez que alguém tenta furá-lo, pois ele grita de tanta dor e me pediu pelo amor do divino que não deixasse mais ninguém machucá-lo.
No dia anterior meu avô estava com a pressão arterial 80X90 e o técnico chegou com uma medicação chamada Losartana para ser administrada no horário. Na mesma hora questionei o técnico, pois tal medicação tem efeito hipotensor já que é para o controle da pressão arterial. O técnico meio sem saber o que fazer disse que realmente se assim fosse eu não deveria administrá-la e que iria falar com o médico de plantão. Quando voltou pediu a medicação de volta. Após alguns momentos eu pensei: “eu poderia ter dado e acabado naquele momento com todo o sofrimento do meu avô”, porém conscientemente eu sabia que estava fazendo algo errado para a sociedade, já que a eutanásia (falo eutanásia, porque infelizmente meu avô se entregou a doença) não é permitida no Brasil.
Na madrugada meu avô acordou com cansaço, com isso fui ao posto de enfermagem e perguntei se poderia ser realizada alguma nebulização. A técnica chegou à porta da enfermaria e de longe disse: “eu não estou vendo que ele esteja cansado”. Na mesma hora eu respondi: “então, por favor, na hora em que A SENHORA ACHAR que ele esteja, faça a nebulização, obrigada.” Coloquei meu avô em uma cadeira e após alguns momentos ele referiu se sentir melhor. Depois a mesma técnica apareceu e disse que a nebulização não estava prescrita no prontuário dele e que não poderia administrar. Procure o médico então, mas não deixei meu avô morrer com falta de ar, pensei.
Na manhã do dia seguinte o mesmo técnico que me deu a Losartana me fez levantar meu avô para pesá-lo mesmo eu dizendo para ele que o mesmo não tinha condições, mas segundo ele devia ser feito. Pra quê meu Deus? Depois de ver que realmente ele não ficava em pé, ele desistiu e veio posteriormente com um uma fita métrica para deitado tirar a circunferência da barriga. Isso é um absurdo, eu nunca vi isso na minha vida acadêmica. Não resisti e disse: “ meu caro não é necessário nesse momento nenhum dado antropométrico do meu avô, pois se caso fosse realizado uma avaliação subjetiva global ele seria classificado como um paciente desnutrido grave, apenas observando seus sinais clínicos. Meu avô encontra-se com ICC, pneumonia, edema nos membros inferiores, desidratação, presença do oco axilar e assim vai, tais observações descartam qualquer avaliação antropométrica, mas como era um técnico que estava fazendo isso e não uma nutricionista, não pude falar claramente sobre esse assunto. Acredito que ele estava apenas cumprindo um papel, que por sinal muito mal. Existe algumas fórmulas para se estimar o peso de uma pessoa acamada, para esse caso ela deveria ser usada.
Com relação a essa medida da circunferência uma colega médica explicou sua funcionalidade nos comentários abaixos.
Gente essa é a situação da saúde no nosso Brasil: técnicos com falta de treinamento e em números insuficientes, médicos frios e indiferentes, falta de apoio psicológico à família.
Essa história ainda continua …
Esse vídeo foi feito no Hospital do Coração, quando conseguimos 300 reais para dar um atendimento decente ao meu avô.
