Dúvida: movimento que elabora.
13 mar 2012 Deixe um comentário
em Produto da Sublimação Tags:Felicidade, movimento, sujeito, vida
Até que ponto conseguimos discernir o certo do errado? Que tipos de construções incorporamos na vida que permite a nós, seres humanos, sermos dotados de uma certa razão?
Até que ponto percorremos um caminho trágico sem conseguir enxergamos um destino cruel? Seriamos então dotados de certa fantasia que alimenta as pulsões mais “destrutivas” do ser?
As questões que subscrevem nossas vidas permitem-nos que façamos parte de um movimento, movimento esse que carrega em si nossos sentimentos mais primevos, aquilo que um dia tentamos inutilmente esquecer, resistir.
Seria talvez essas questões mais arcaicas a responsável pela desorganização psíquica de muitos sujeitos que buscam na vida um sentimento pleno de felicidade?
Que felicidade seria essa tão inabalável? Porque não nos damos o prazer de viver momentos infelizes? O inconsciente ao mesmo tempo que trabalha na busca de prazeres, constantemente evita o inverso. Até que ponto estaríamos evitando o desprazer para gozarmos de satisfação plena e o que isso traria de benefício para o ser humano?
Compartilho da idéia de que não são as respostas que movimentam o mundo e sim as perguntas elaboradas a partir de questões extremamente complexas.
Se permitir viver o movimento da vida e das questões que com ela surgem, nos faz perceber ao longo de uma incansável jornada o quando ainda somos inexperientes e que precisamos aprender, aprendizado esse que necessariamente não se contempla em livros ou salas de aula, mas no próprio movimento elaborado pela vida do sujeito.
Voltando as questões destrutivas, me pergunto o que leva um sujeito a traçar um caminho desses? Vou ainda mais longe e questiono: o que no transcorrer da vida faltou a esse sujeito? O que ele busca nas ações destrutivas? Prazer? Livrar-se de um sentimento de culpa? Difícil entender já que é a subjetividade dele que está em jogo e não a minha. Até agora só me resta fazer perguntas, porque a resposta está no sujeito e não em mim.
Quem é o sujeito que busca assistência no SUS (Sistema Único de Saúde)?
06 nov 2011 Deixe um comentário
em Saúde Tags:assistência, sujeito, sus
É um ser muitas vezes sem muita informação, mas com muito conhecimento de vida, sabedoria essa que constitui seu sujeito;
É um ser que agrada com galinha, periquito e papagaio qualquer um que a ele prover um tanto de atenção e cuidado, sabendo agradecer de forma simples uma ação que a princípio é dever de quem faz, mas faz acreditar naquele que recebe ser um favor;
É um ser carente e urgente de atenção, principalmente, os mais velhos que fazem da visita a uma Unidade de Saúde sua rotina importante e imperdível;
São pessoas merecedoras de atenção, cuidado e porque não dizer afeto? São pessoas que se contentam com muito pouco e que vivem esse pouco como se fosse tudo; pessoas essas que tem na imagem do outro o único reconhecimento de sua própria imagem, porque muitas vezes suas identificações são restritas a quatro paredes e nada mais;
São pessoas que aparentemente o único direito que possuem, é o de ter sua saúde aparada e se tais direitos são poucos, os deveres são muitos. Os baixos níveis de escolaridade muitas vezes tornam os sujeitos incapazes de fazer planejamentos e escolhas mais inteligentes;
São pessoas que aparentemente não tem muito “estudo”, mas que tem muita vontade de ajudar, mesmo sem saber o significado da palavra altruísta são assim por natureza.
São pessoas muitas vezes tratadas como ignorantes por pessoas mais ignorantes ainda; (fato)
São pessoas que não tem noção do controle social que podem exercer e que quando por inclinações individuais exercem, são acusados de desacatar as pessoas e o serviço. Coitados, pois mesmo possuindo vozes, elas não são ativas;
Enfim, são sujeitos em construção de sua identidade.
Sou eu, são vocês, são todos aqueles que dependem de uma saúde provida pelo estado e que de antemão não nos retira a responsabilidade sobre nossa própria saúde, mas que tal estado tem o dever de nos prover a atenção adequada e a resolutividade necessária para todos os percalços exigidos.
O sujeito que busca assistência no SUS, assim como ele, é um sujeito em construção e complexo.
O “não dito” e o nosso corpo
20 set 2011 Deixe um comentário
em Comportamento Tags:corpo, mente, palavra, sujeito
No estudo da psicanálise, nos deparamos com assuntos muito interessantes e que nos faz repensar conceitos e ainda nos permite fazer um maior número de associações. É justamente por meio dessas associações que Freud penetra na psicanálise e começa a focar sua terapia no discurso do sujeito, ou seja, nas suas associações livres.
No dia a dia falamos muito, porém muita coisa não é dita e é esse “não dito” que pode até certo ponto, acredito eu, transformar a vida do sujeito e o resultado dessa transformação pode atingi-lo organicamente. Mais
Análise: uma reflexão prática
28 jul 2011 Deixe um comentário
em Produto da Sublimação Tags:análise, Psicanálise, sujeito, terapia, transferência
Muitos ainda acreditam que uma análise é feita a partir do diálogo do analisando com o analista, eu mesma tinha essa impressão, antes de me aprofundar no mundo analítico. A realidade é bem diferente daquela que pensamos – e muitas vezes desejamos. A pessoa que entende o fundamento da análise pode a partir dela construir melhor suas elaborações de pensamento, assim como encontrar a “cura” para conflitos externados em sintomas aparentemente nocivos para alguns.
O analista não é um conselheiro ou aquele que dita como será sua vida ou ainda que medicamento o sujeito ira tomar. O mesmo refere-se a um profissional que busca a partir do discurso proferido pelo analisando ferramentas que possam fazer sentido para as duas partes envolvidas. Na verdade tanto o analisando como o analista pode construir e desconstruir no momento da análise e um exemplo dessa (des)construção seria o processo de transferência que diga-se de passagem só é possível ocorrer em análise. Mais
